Skip links

Pesquisa comprova: saúde no DF segue abandonada

Pesquisa comprova: saúde no DF segue abandonada

A mais recente pesquisa de avaliação do governo do Distrito Federal, publicada no Correio Braziliense do último domingo (14), revelou algo que não pode mais ser tratado como um “sentimento”: enquanto as obras alcançam 72,1% de aprovação, a saúde pública amarga, com apenas 10,4%. O que antes podia ser, para alguns, apenas uma impressão de negligência, agora está confirmado em números. A saúde no DF segue abandonada.
Não se trata de demonizar obras ou investimentos em mobilidade urbana. O problema está na dosagem. Uma verdadeira enxurrada de viadutos, pavimentações e inaugurações é feita com urgência, enquanto a urgência real – a da saúde – segue relegada ao abandono. De nada adianta cortar fitas se faltam médicos, leitos, equipamentos e insumos básicos para salvar vidas.
Um exemplo concreto dessa inversão de prioridades foi denunciado recentemente pelo Sindicato dos Médicos do DF. A Secretaria de Saúde determinou a devolução de neonatologistas cedidos ao Instituto de Gestão Estratégica da Saúde (Iges-DF), que atuavam no Hospital Regional de Santa Maria, para os hospitais regionais do Gama e de Taguatinga. Ao mesmo tempo, profissionais lotados em Brazlândia foram realocados para Ceilândia. Essas medidas, vendidas como soluções, na prática agravaram o problema: deixaram descoberto o único serviço de neonatologia que funcionava plenamente no DF e abandonaram uma cidade com mais de 80 mil habitantes sem cobertura nessa especialidade vital.
A pesquisa também mostrou que a educação, outro pilar fundamental de qualquer sociedade, tem aprovação de apenas 27,2%. E o orçamento confirma a negligência. Para 2026, estavam previstos R$ 9 bilhões do Fundo Constitucional para a saúde, mas o valor foi reduzido para R$ 7,8 bilhões. Já a educação perdeu recursos, caindo de R$ 6 bilhões para R$ 5,1 bilhões.
Como médico e presidente do SindMédico-DF, não posso me calar diante desse cenário. O SUS é patrimônio do povo brasileiro e precisa ser respeitado e fortalecido. O que se vê no Distrito Federal é a repetição de uma política que privilegia contratos, terceirizações e obras de impacto eleitoral, enquanto a vida das pessoas fica em segundo plano.
É urgente inverter essa lógica. Governar não é apenas construir pistas e inaugurar viadutos. Governar é garantir atendimento digno a quem adoece, acesso a escolas de qualidade para nossas crianças e condições de vida seguras para todos.
O cidadão comum sente, percebe e sabe: obras sozinhas não bastam. É preciso saúde, educação e respeito.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência na web.