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GDF: o caos como forma de gestão

O caos como forma de gestão

A política de saúde do Governo do Distrito Federal não é desorganizada — é calculada. E o cálculo é simples: se o governo considera que a judicialização de um caso não é da competência do órgão que cobra providências, ele simplesmente não faz nada. O problema existe, o Judiciário cobra solução, mas o GDF escolhe se esconder atrás de tecnicalidades jurídicas e deixar o caos continuar. É o caos como forma de gestão.

Essa é a essência do modelo atual de gestão da saúde no DF: não resolver, não enfrentar, não transformar — apenas adiar. É uma gestão que normaliza a tragédia e foge da responsabilidade, enquanto constrói uma narrativa paralela onde tudo está funcionando.

Quem anda pelas unidades de saúde sabe que isso é mentira.

Visito semanalmente hospitais, UPAs e UBSs. E o cenário se repete: falta de médicos, equipamentos e insumos, leitos insuficientes, estruturas físicas deterioradas. As queixas dos profissionais e da população são as mesmas em todas as regiões do DF. E não é de hoje — é um processo de deterioração contínua, que piora ano após ano.

Todos os relatórios dessas visitas são enviados à Secretaria de Saúde, ao CRM, ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas. O resultado? O MPT abriu inquéritos, realizou audiências e iniciou Ações Civis Públicas para responsabilizar o Estado. E o GDF? Enviou representantes sem autonomia. E mais: quando confrontado, questionou a competência da Justiça do Trabalho.

Ou seja: o governo admite que o problema existe, mas se recusa a agir, porque acredita que o órgão que cobra providências não tem autoridade para cobrar. É a lógica do cinismo institucional. Uma gestão que só responde a denúncias quando há pressão da imprensa ou impacto político. E, mesmo assim, responde mal.

A cada crise, uma solução midiática, imediatista e ineficaz. Como no caso da violência nas unidades de saúde. Em vez de contratar mais profissionais e melhorar as condições de atendimento, o governo preferiu investir em câmeras de vigilância, detectores de metal e cancelas automáticas — como se o problema fosse o paciente revoltado e não o sistema colapsado.

O GDF escolheu filmar o caos em vez de impedir que ele aconteça.

A resposta padrão do governo às cobranças é negar a gravidade dos fatos, empurrar prazos, e apresentar soluções que custam caro, mas não resolvem. Uma política de encenação, que transforma recursos públicos em marketing, não em atendimento.

Como o Gato Cheshire em “Alice no País das Maravilhas”, o GDF age como se a realidade fosse apenas uma questão de ponto de vista: “a minha realidade é apenas diferente da sua”.

Mas a nossa realidade é concreta: médicos adoecendo, pacientes sem atendimento e um sistema que colapsa diante de uma gestão que lucra politicamente com a tragédia. O caos não é um efeito colateral — é o projeto. E essa verdade precisa ser dita, denunciada e enfrentada. controle de acesso às unidades de saúde, incluídos detectores de metal e cancelas automatizadas.

O GDF prefere colocar catracas e registrar em vídeo o caos diário nas unidades de saúde a investir o dinheiro público na contratação de médicos e outros profissionais e no provimento de leitos, instalações adequadas e equipamentos necessários ao bom atendimento à população que sofre.

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