O Dia do Trabalhador é uma data para celebrarmos as conquistas dos trabalhadores brasileiros, mas também para denunciarmos as desigualdades e os abusos que ainda persistem em diversos setores, em especial no serviço público. Para os servidores, essa data deveria ser um momento de reflexão sobre o reconhecimento real e efetivo das condições de trabalho que enfrentam diariamente. No entanto, a realidade é muito mais dura.
A crise na saúde pública não é fruto de um sistema falido ou de uma população desinteressada. Ela é, antes de tudo, resultado da falta de compromisso do GDF com aqueles que, todos os dias, atuam na linha de frente do atendimento à população. Servidores, médicos, enfermeiros e técnicos têm sido forçados a trabalhar em condições precárias, com sobrecarga de tarefas, escassez de recursos e um ambiente que não oferece a devida segurança. O caos nas unidades de saúde, como o ocorrido na UPA de Ceilândia, no último domingo (27), com a depredação do local por pacientes, é apenas um reflexo do desespero acumulado, mas também do completo desamparo daqueles que deveriam ter condições de trabalho adequadas.
O que muitas vezes se esquece é que os servidores não são o problema. Ao contrário, eles são parte da solução. São eles que enfrentam diariamente o colapso do sistema público de saúde e continuam a fazer o melhor possível com o que têm. Mas isso não é o suficiente – claramente. O que é necessário é um GDF que se comprometa com uma verdadeira transformação, que valorize os profissionais da saúde e que invista no fortalecimento do SUS.
É inadmissível que os médicos e outros profissionais da saúde sejam tratados como os culpados pelos problemas do sistema público de saúde, quando são, na verdade, os principais agentes da solução. Sem o trabalho incansável e dedicado de cada servidor, o SUS simplesmente não funcionaria. Porém, o GDF insiste em criminalizar o sistema e os profissionais, desviando a atenção para alternativas como privatização e terceirização, quando o foco deveria ser na valorização dos trabalhadores e na melhoria das condições de trabalho.
O GDF, ao invés de dialogar com as categorias, preferiu adotar uma postura de desrespeito aos sindicatos, desconsiderando o papel fundamental das entidades que representam os trabalhadores. O diálogo é a única forma de chegar a soluções reais e eficazes. Mas, ao ignorar os sindicatos e não respeitar as demandas legítimas dos profissionais, o governo contribui para o agravamento da crise. O caos que vemos nas unidades de saúde do DF não é causado pela falta de vontade ou competência dos servidores. A raiz está na falha de uma gestão pública que se recusa a investir no que é realmente importante: as pessoas, tanto os pacientes quanto os profissionais da saúde.
O Dia do Trabalhador deve ser, portanto, um alerta. Um alerta para que o governo entenda que os servidores não são o problema, mas a solução. São os médicos, enfermeiros, técnicos e demais profissionais da saúde que, com coragem e dignidade, mantêm o SUS funcionando. O verdadeiro problema é a falta de compromisso e a negligência do GDF com os trabalhadores e com a saúde pública. Passou da hora de começar a investir em soluções reais, que passem, necessariamente, pelo reconhecimento e pela valorização dos servidores.
Neste Dia do Trabalhador, meu compromisso, como médico e enquanto presidente do SindMédico-DF, é reafirmar a luta pela valorização dos profissionais da saúde e pelo reconhecimento de que somos parte da solução. Exigimos respeito, diálogo e, acima de tudo, a garantia de condições dignas de trabalho, para que possamos continuar a prestar o melhor atendimento à população.
Parabéns a todos. E, vamos juntos, lutar para que nossos direitos sejam respeitados em nossos locais de trabalho.
