A cada dia que passa, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGES-DF) acumula mais processos trabalhistas. Dados levantados pelo SindMédico-DF revelam a fragilidade de sua estrutura administrativa e a precariedade das relações de trabalho. Hoje, há mais de 700 processos judiciais contra o Instituto, com valores que ultrapassam R$ 100 milhões. Se o IGES-DF perder essas ações, o impacto financeiro será devastador. E adivinha quem paga a conta? Você, cidadão, com o suor dos seus impostos pagos.
O que esses números mostram? Que a expansão do IGES-DF, anunciada com alarde pelo Governo do Distrito Federal, caminha sobre uma base totalmente instável. Como se pode pensar no crescimento saudável de um instituto que já enfrenta uma crise trabalhista sem precedentes? A alta rotatividade de profissionais da saúde, aliada a denúncias de sobrecarga de trabalho e assédio moral, desenha um cenário preocupante.
Apenas em relação a médicos, por exemplo, dos 1.763 ativos na folha de pagamento do IGES-DF em fevereiro deste ano, 1.142 foram contratados entre 2022 e 2025. Ou seja, a maioria dos profissionais tem menos de três anos na instituição, o que evidencia à alta taxa de entrada e saída de profissionais do Instituto. Essa constante renovação de funcionários impacta diretamente na qualidade da assistência prestada à população, além de demonstrar que há falhas graves na gestão de pessoas.
Outro dado preocupante: apenas nas 665 ações trabalhistas analisadas, os valores pedidos somam R$ 96,4 milhões. Há ainda 87 processos correndo em segredo de Justiça, cujo impacto financeiro ainda não pode ser calculado. Esse passivo trabalhista já se aproxima do repasse mensal que a Secretaria de Saúde destina ao IGES-DF, o que levanta uma questão fundamental: como sustentar um modelo de gestão que, se continuar nesse ritmo, pode simplesmente entrar em colapso financeiro?
A situação vivida pelos profissionais da saúde sob a gestão do IGES-DF é um reflexo da falta de segurança trabalhista e das condições precárias que enfrentam no dia a dia. Não é de se estranhar que tantas ações tenham sido movidas. Os problemas vão desde a ausência de progressão na carreira até o esgotamento provocado por jornadas excessivas e desvalorização profissional. Um caso recente, ocorrido na UPA do Gama, trouxe à tona, mais uma vez, denúncias de assédio moral e condições insustentáveis de trabalho.
Outra denúncia que chegou ao SindMédico-DF expõe uma relação promíscua do GDF com a coisa pública: pessoas que ocupam cargos comissionados do IGES-DF são demitidas e entram com ações trabalhistas contra o próprio IGES-DF. Posteriormente, essas mesmas pessoas são nomeadas para novos cargos dentro da própria estrutura governamental, seja na Secretaria de Saúde ou em outros órgãos. A situação é, no mínimo, esdrúxula e mostra a falta de compromisso com a moralidade administrativa e a gestão responsável dos recursos públicos.
Diante disso, a pergunta que devemos nos fazer é: queremos que esse modelo de gestão continue se expandindo? O IGES-DF foi criado com a promessa de melhorar a assistência à saúde. Você se lembra disso? Mas, na prática, tem mostrado que seu modelo não garante estabilidade para os trabalhadores e, consequentemente, coloca em risco a qualidade do atendimento aos pacientes.
É urgente que o GDF reveja o projeto de expansão do IGES-DF. A solução para os problemas da saúde pública não pode ser a terceirização indiscriminada, que precariza vínculos e compromete a continuidade dos serviços. Precisamos garantir a permanência dos profissionais de saúde no serviço público com condições dignas de trabalho. Caso contrário, corremos o sério risco de assistir ao colapso total do SUS-DF. A saúde pública não pode ser tratada como um experimento.