O nascimento de uma pessoa é, sem dúvida, um dos momentos mais simbólicos e significativos da vida humana. É o início de uma jornada, uma esperança renovada, uma oportunidade de crescer e conquistar o mundo. Contudo, no Distrito Federal, a realidade enfrentada por muitos ao nascer no Sistema Único de Saúde (SUS) é marcada pela precariedade.
Imagine o primeiro respiro de um recém-nascido acontecendo em um ambiente com rachaduras nas paredes, goteiras no teto e risco de desabamento. Infelizmente, essa é a realidade do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), onde parte do centro obstétrico foi interditada após uma vistoria da Defesa Civil constatar risco de colapso estrutural. Um local que deveria acolher e proteger gestantes e bebês, coloca suas vidas em perigo.
E essa negligência não se limita ao início da vida. O caminho de um paciente no SUS-DF é marcado pelo descaso. O Tribunal de Contas do DF (TCDF) revelou que mais de 85% das Unidades Básicas de Saúde (UBS) apresentam problemas estruturais sérios: infiltrações, telhados expostos, mofo, paredes e pisos danificados. Apenas 14% foram consideradas boas. Em Ceilândia, no ano passado, parlamentares encontraram macas quebradas, amarradas com ataduras, equipamentos depredados e acumulados em corredores, paredes tomadas por rachaduras e mofo.
O abandono também é visível em hospitais de média e alta complexidade. No Hospital Regional de Taguatinga (HRT), em 2022, o teto da UTI estava prestes a desabar. No Hospital Regional do Gama (HRG), a emergência é um retrato do descaso: cadeiras quebradas, mesas danificadas, fios soltos expondo pacientes e profissionais ao risco de choque elétrico.
O Hospital de Base, um dos mais importantes do DF, já foi símbolo desse abandono. Em 2023, a situação da cozinha do hospital era precária, com panelas enferrujadas, pisos destruídos e paredes sujas. Em outros setores, o teto cedia e era coberto improvisadamente por plásticos. Somente após denúncias, reformas foram realizadas. Mas, é inaceitável que a única forma de garantir manutenção seja através da exposição pública do problema.
O que vemos é um sistema sendo destruído aos poucos. A estratégia, como venho afirmando, é clara: precarizar para privatizar. O governo, em vez de investir na recuperação e manutenção da rede pública, insiste em deixar ruir para criar soluções artificiais baseadas na terceirização. “Soluções” essas que não resolvem o problema na raiz e apenas transferem recursos públicos para empresas privadas. Esse ciclo de abandono e terceirização não melhora o atendimento à população, apenas enfraquece o SUS e torna os serviços mais caros e menos acessíveis.
A saúde pública não pode ser tratada como um negócio, onde a lógica do lucro prevalece sobre a garantia de direitos. O SUS é um patrimônio da sociedade brasileira e precisa ser defendido. É preciso seguirmos firmes na defesa do SUS e na valorização da saúde pública. A população do DF merece hospitais estruturados, seguros e acessíveis a todos. Chega de descaso! A saúde é um direito, não uma mercadoria